Expiação Limitada em Hebreus? — rev. Jordan Cooper

Jesus before the High Priest of Old Covenant

O livro de Hebreus parece apresentar a maior dificuldade no que se refere ao “L” (expiação limitada) e o “P” (perseverança dos santos) da TULIP. As várias passagens de advertência, em Hebreus 6 e outros lugares, parecem indicar que um verdadeiro cristão pode cair. Ao examinar o livro de Hebreus, descobri que essas passagens, lidas no contexto, ensinam que o crente pode cair. Também acredito que eles ensinam que Cristo é a propiciação e mediador para todos os homens, sem distinção. Vou explicar porque acho que Hebreus ensina ambos os pontos.

Primeiro, veja todas as passagens de apostasia no livro:

Por isso é preciso que prestemos maior atenção ao que temos ouvido, para que jamais nos desviemos. Porque se a mensagem transmitida por anjos provou a sua firmeza, e toda transgressão e desobediência recebeu a devida punição, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? Esta salvação, primeiramente anunciada pelo Senhor, foi-nos confirmada pelos que a ouviram. (Hb 2:1–3)

Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; Porque nos tornamos participantes de Cristo, SE retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim (Hb 3:12–14).

Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência. (Hb 4:11)

Ora para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, E CAÍRAM, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública. Pois a terra que absorve a chuva, que cai frequentemente e dá colheita proveitosa àqueles que a cultivam, recebe a bênção de Deus. Mas a terra que produz espinhos e ervas daninhas, é inútil e logo será amaldiçoada. Seu fim é ser queimada. (Hb 6:4–8)

Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel. E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia. Se continuarmos a pecar deliberadamente depois que recebemos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, mas tão somente uma terrível expectativa de juízo e de fogo intenso que consumirá os inimigos de Deus. Quem rejeitava a Lei de Moisés morria sem misericórdia pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado e insultou o Espírito da graça? Pois conhecemos aquele que disse: “A mim pertence a vingança; eu retribuirei”; e outra vez: “O Senhor julgará o seu povo”. Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo! (Hb 10:23–31)

E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou. (Hb 12:16–17)

Essas passagens estão espalhadas por todo o livro. Na verdade, o livro está estruturado em torno desse conceito. O autor está alertando esses crentes para não caírem. Provavelmente são judeus que estão pensando em voltar ao judaísmo para escapar da perseguição. Para contrariar isso, o autor procura explicar, em detalhes, como a Nova Aliança é superior à Antiga. A maneira como os reformados costumam lidar com essas passagens é dizer que aqueles que “se desviam” não são realmente crentes. Eles são membros externos da igreja. Eles nunca foram regenerados, justificados, salvos, e Cristo nunca morreu por essas pessoas. No entanto, dizer que Cristo nunca foi o advogado dos que se desviam é destruir o argumento do livro. Ele os exorta a permanecer na fé precisamente porque Cristo é seu mediador. O argumento é essencialmente “Cristo é um sacrifício melhor do que os da antiga aliança; Ele é um sacerdote melhor do que os da antiga aliança”. A premissa do argumento assume que Cristo é seu mediador. Como eles podem recair em um pior mediador/sacerdote/sacrifício se nunca tiveram um melhor? Isso não faz sentido.

Observe a seguinte passagem:

Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração. Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas. Portanto, visto que TEMOS um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim sendo, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade. (Hb 4:12–16).

O autor está assumindo, sem qualificação, que Cristo é o sumo sacerdote de si mesmo e de todos os seus leitores. Ele argumenta que, porque Cristo é nosso sumo sacerdote, não vamos nos afastar Dele.

[Nós] Temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus, que nos precedeu, entrou em nosso lugar, tornando-se sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. (Hb 6:19–20).

Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus. (Hb 7:26)

Agora, o ponto do que estivemos afirmamos é exatamente isto: NÓS.

Tradução: Jadson Targino

27/02/2021.

Disponível em: https://www.patheos.com/blogs/justandsinner/limited-atonement-in-hebrews/

SOBRE O AUTOR:

Rev. Jordan Cooper é escritor, pastor luterano ordenado, professor adjunto de Teologia Sistemática e bolsista do Ministério da União Cristã na Universidade Cornell.

Seminarista pelo CETAD/PB (seminário da Assembleia de Deus na Paraíba), tradutor e graduando em Ciências da Religião pela UFPB.

Seminarista pelo CETAD/PB (seminário da Assembleia de Deus na Paraíba), tradutor e graduando em Ciências da Religião pela UFPB.