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John Wesley preaching in his father’s burial

Introdução

Confesso que não pretendia escrever esse texto por dois motivos: (1) o imenso respeito que possuo em meu coração pelo rev. Rodrigo, a quem reconheço como um ministro fiel do Evangelho, (2) a realidade de que — possivelmente — serei “cancelado” por muitos evangélicos. Instigado, todavia, pelo próprio pr. Caeté, que contatou-me e também mostrou-se aberto ao diálogo, resolvi redigí-lo.

Reconheço, antes de começar, que trata-se de um assunto delicado e por isso, recomendo a leitura do artigo do rev. Gyordano Montenegro (aqui) para mais fundamentações concernentes a visão favorável.

O artigo será dividido em duas partes. Uma primeira ponderação, considerando os dados históricos e situando a discussão corretamente (sem “caça as bruxas”) e uma segunda, maior e mais importante ponderação que levantará as fundamentações exegéticas. …


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Duns Scott

Trataremos um assunto que demandará uma reflexão mais calma e delicada. Qual é o relacionamento entre a Lógica e o Cristianismo? Alguns cristãos professos (por vezes, bem-intencionados) ocasionalmente argumentam, lançando mão de dogmas da fé cristã como a Trindade ou a Encarnação, que o Cristianismo não está “preso” as leis da lógica. Essas leis seriam, dizem eles, meros ensinos humanos originados numa vã filosofia que jamais deveria ser aplicada como limitadora das doutrinas bíblicas. Essa tendência é o que teólogos como o exegeta John Stott[1] no Capítulo 1 de uma de suas obras enumera como nocivas ao cristianismo: o Irracionalismo.

Saberemos se a Lógica (e suas leis) é ou não inadequada à Teologia cristã examinando-a. O que é, portanto, a lógica? O professor e filósofo cristão Álvaro Calderon a define assim: “Lógica vem do grego λόγος e significa razão, é falar, aquilo que distingue, justamente, o homem dos demais animais quanto ao modo de conhecer. Por isso se chama lógica a arte de pensar de tal maneira que alcance a verdadeira ciência das coisas, e não um conhecimento qualquer. Todos os homens, por natureza, aprendem a pensar quando alcançam a idade da razão, entretanto, nem todos aprendem a pensar bem” [2]. Em outras palavras: a lógica é o método pelo qual podemos pensar corretamente, isto é, alcançar a verdadeira ciência das coisas. …


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O resumo do que eles [os antitrinitários] dizem em geral é:

1. “Como essas coisas podem ser? Como três podem ser um, e um ser três? Toda pessoa tem sua própria substância; e, portanto, para que sejam três pessoas deve haver três substâncias, e assim três deuses”.

Resposta. Toda pessoa [da Trindade] tem distintamente sua própria substância, pois a única substância da deidade é a substância de cada pessoa, por isso ainda assim ela é uma; mas cada pessoa não tem sua própria substância distinta, porque a substância de todos elas é a mesma, como foi comprovado.

2. Eles dizem: “Se cada pessoa for Deus, então cada pessoa é infinita, e há três pessoas, então deve haver três infinitos”. …


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Cornelius Van Til

Neste artigo, iremos revisar o cap. 1 de “A Survey of Christian Epistemology” de Van Til, intitulado ‘Terminologia Epistemológica’, o qual tem o propósito extensivo de fornecer o pano de fundo para o resto da obra através da explicação dos temos que Cornelius pretende empregar. Talvez o mais relevante, na verdade, é o fato de que nele ele explica como o seu uso dos termos difere do uso entre os filósofos seculares, seu uso será “cristão” e parte do “sistema cristão”. Infelizmente para o leitor, a compreensão vantiliana e suas definições geralmente não apenas diferem dos filósofos seculares, mas do próprio Van Til. …


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“…um destes pequeninos, que creem em mim” (Mt 18:6)

Os protestantes sempre enfatizaram que a salvação vem pela fé, mas a maioria dos protestantes também batiza bebês. Como essas duas coisas podem coexistir? Lutero e Calvino unificaram ao mesmo tempo sua insistência em unir a fé e o batismo infantil, alegando que os bebês podem crer. Os batistas vêem isso como o calcanhar de Aquiles da posição pedobatista, um exemplo dos “absurdos” aos quais os pedobatistas estão dispostos a ir na defesa de uma “prática insustentável”.

A fé infantil é algo absurdo?

“Fé” é a resposta humana de confiança em Deus, uma resposta de fidelidade em um relacionamento pessoal, e isso tem grandes consequências para nossa compreensão da fé infantil. A questão da fé infantil não é: “Os bebês são capazes de receber esse impulso de poder divino?”, A pergunta, na verdade, é: “Os bebês podem responder a outras pessoas? Os bebês têm relações pessoais?”


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Atonement

A Expiação era realmente necessária? É um tema de carácter bem complexo e especulativo. O famoso teólogo presbiteriano John Murray escreve em sua clássica obra ‘Redenção consumada e aplicada’ (edit. Cultura Cristã) que há um debate acerca desse assunto entre os teólogos dentro da Ortodoxia cristã:

“Por que Deus se tornou homem? Por que, tendo se tornado homem, ele morreu? Por que, para morrer, ele escolheu morrer a maldita morte da cruz? Isto é abrange a questão da necessidade da expiação. Entre as respostas dadas a esta pergunta, duas são as mais importantes. Elas são, primeiro, o ponto de vista conhecido como necessidade hipotética e, segundo, o ponto de vista que podemos chamar de necessidade consequente absoluta. O primeiro foi defendido por homens notáveis como Agostinho e Tomás de Aquino. Já a última (necessidade consequente absoluta) pode ser considerado o posição protestante mais clássica.” (Murray, John. Redemption: Consumed and Applied. 2015. William B. Eerdmans Publishing Company Grand Rapids: Michigan / Cambridge, U. K., p. …


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Fallen Angel

Como assim, ‘deus desse mundo’?

Os cristãos poderão usar todos os tipos de desculpas para se manterem fora dos debates religiosos-morais-culturais de hoje. Uma das desculpas mais diabólicas é afirmar que Satanás é o deus legítimo deste mundo. Isso se traduz em acreditar que este mundo é demoníaco. Vamos ver o que a Bíblia realmente diz a respeito desse assunto.

Satanás é uma criatura. Como todas as criaturas, ele tem certas limitações. Mesmo sob a Antiga Aliança (a de Moisés), Satanás teve que receber permissão de Deus antes que ele pudesse agir (Jó 1: 6–12; 2: 1–7). As limitações de Satanás foram multiplicadas desde a crucificação, ressurreição e ascensão de Jesus. A Bíblia nos mostra que, se “resistirmos ao diabo, ele fugirá” de nós (Tiago 4: 7). O único poder que Satanás tem sobre o cristão é o poder que damos a ele e o poder que Deus concede a Ele (2 Cor. 12: 7–12). As escrituras nos dizem que Satanás foi derrotado, desarmado e saqueado (Colossenses 2:15; Ap. 12: 7; Mc 3:27). Ele “caiu” (Lc 10:18) e foi “derrubado” (Ap. 12: 9). Ele foi “esmagado” aos pés dos primeiros cristãos e, implicitamente, aos pés de todos os cristãos ao longo dos tempos (Rm. 16:20). Ele perdeu a “autoridade” sobre os cristãos (Colossenses 1:13). Ele foi “julgado” (Jo 16:11). Ele não pode “tocar” um cristão (1 João 5:18). Suas obras foram destruídas (1 Jo 3: 8). Ele não tem “nada” (Jo 14:30). Ele deve “fugir” quando “resistirem” (Tg 4: 7). …


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Jesus holding the cross.

O capítulo 53 do livro de Isaías tem sido frequentemente visto pelos defensores da teoria da Substituição Penal como a pedra no sapato daqueles que sustentam teorias paralelas como as teorias da satisfação, resgate, governamental etc. Existe outra forma plausível de interpretar o texto que não exija os pressupostos da Substituição Penal? Respondemos que sim.

O contexto de Isaías 53

Já dizia o ditado popular: “texto fora de contexto é pretexto para equívoco interpretativo”. Em relação a esse capítulo do grande profeta messiânico não poderia ser diferente: como o rev. …


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Mundo

Introdução

Preparei essa coletânea de citações a partir da leitura de diversos materiais que utilizei no estudo da questão apresentada: a presença significativa de uma redenção geral (universalismo hipotético ou expiação ilimitada, seja como queira você nomear) na Teologia de diversos teólogos reformados, os quais entendiam que uma Eleição Incondicional é perfeitamente harmonizável com a declaração de que “Jesus morreu por todos os homens”.

Isso não implica em nenhum tipo de arminianismo (como os próprios teólogos deixarão claro).

Ao todo, são 25 teólogos de grande renome. Uma última observação: por limitação de espaço, a lista não é exaustiva: mais teólogos poderiam ser mencionados e mais citações dos que já estão presentes aqui poderiam ser incluídas. …


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Sto Anselmo

Surgiram diversas objeções ao artigo que escrevi sobre Agostinho (confira aqui) as quais foram respondidas por mim satisfatoriamente (creio eu) aqui e aqui. Entretanto, creio ser benéfico aos leitores apresentar mais uma evidência que demonstra de uma vez por todas a incompatibilidade da visão do Bispo de Hipona com a perspectiva sobre expiação conhecida como Substituição Penal (doravante SP). Para isso, gostaria de “lançar mão” de uma exposição da visão de Sto Anselmo e correlacioná-la a teoria do bispo de Hipona.

O problema da Justiça Retributiva

Na teologia cristã podemos tratar o atributo da Justiça divina sob dois ângulos: a justiça retributiva e a justiça restaurativa. Essa é uma linguagem comum no meio jurídico e é emprestada pelos teólogos. NT Wright, por exemplo, fala tanto na retributiva quanto na restaurativa: “A justiça de Deus é uma justiça salvadora, curadora, restaurativa” (WRIGHT, N.T. Evil and Justice of God. InterVarsity Press. 2011, p. 64. Tradução minha.). Como não é o objetivo deste artigo ser exaustivo no tocante a essa questão, visualizemos a Justiça pela perspectiva que nos interessa para o tratamento deste assunto: a Retributiva, que pode ser definida (em relação a nós) como o “hábito pelo qual, com vontade constante e perpétua atribuímos a cada um o que lhe pertence” (Tomás de Aquino, ST, Secunda Secundae Pars, q. 58., art. …

About

Jadson Targino

Seminarista pelo CETAD/PB (seminário da Assembleia de Deus na Paraíba), tradutor e graduando em Ciências da Religião pela UFPB.

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